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02/09/2021 2026-07-24 13:55Sobre
nossa história
Vila Velha, um teatro da Bahia e do Brasil
Inaugurado em 1964, no Passeio Público, em Salvador, o Teatro Vila Velha é o primeiro teatro independente da Bahia. Ele abriga a Companhia Teatro dos Novos, a primeira companhia teatral profissional da Bahia.
Nessas mais de seis décadas de existência, o Teatro Vila Velha se notabilizou por sua liberdade e sua inovação, sendo um local de resistência e celeiro de grandes artistas.
Surgida a partir de uma cisão da Escola de Teatro da Universidade da Bahia, comandada por Eros Martim Gonçalves, a Companhia Teatro dos Novos foi fundada em 1959, aglutinada ao redor da figura magnética do diretor teatral João Augusto.
Com ele estavam atores como Othon Bastos, Martha Overbeck, Carlos Petrovich, Sonia Robatto, Carmen Bittencourt, Tereza Sá, Echio Reis, Mario Gusmão, Geraldo del Rey e Nilda Spencer.
Mas a gênese dos Novos e do Vila ficam ainda melhor explicadas sob a ótica vanguardista do espírito do tempo que circulava na Salvador daquela época. O Vila é parte de algo ainda maior, é parte daquele Século de Péricles idealizado e realizado pelo reitor Edgard Santos, um tempo de efervescência cultural.
“Os Novos aceitam tudo que é velho”, e a construção do Teatro Vila Velha naquele emblemático e problemático ano de 1964 era arte e resistência acontecendo ao mesmo tempo, num mutirão de atores, de artistas e do povo. Foi naquele palco recém-construído que Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé uniram suas carreiras ao protagonizarem o show “Nós, por exemplo…”.
Shows musicais desses e de outros grandes nomes tornaram-se comuns no Vila, que foi inaugurado com a Escola de Samba Juventude do Garcia. Peças como “Eles não usam Bleque-tai” e “Stopem, Stopem!” também marcaram época.
Em 1972, chuvas fortes derrubaram uma das paredes do teatro, que se reergueu e seguiu até receber o seu maior baque: a morte do diretor João Augusto em 1979.
Os anos 1980, chamados de “A década perdida” no Brasil, foram de dificuldades para o Vila. Sua a reabertura em 1994, sob o comando do diretor Marcio Meirelles, seguida pelas obras de reconstrução de 1995 a 1998, o lançaram em um novo capítulo de luta, arte, utopia e resistência.
Grupos residentes como o Bando de Teatro Olodum e nomes como Lázaro Ramos, Wagner Moura e Ricardo Bittencourt marcaram essa época e se projetaram nacionalmente. Como o próprio Marcio Meirelles gosta de dizer, o Teatro Vila Velha é um local de pousos e decolagens, um local para estar.
Em 2024, enquanto estava em obras, o Teatro Vila Velha comemorou seus 60 anos com uma grande exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia. Agora, reformado e modernizado, pronto para o futuro que carrega em si desde os primórdios, o Teatro Vila Velha continua em sua saga de ter vocação para ser a “pia batismal dos artistas baianos” de que falou Gilberto Gil.













